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Na Rússia, terceirização não gerou mais emprego e reduziu salários; após 20 anos, prática foi proibida

Enquanto no Brasil o Congresso aprova um projeto de terceirização irrestrita, na Rússia a prática já é proibida desde o ano passado. Após o fim da União Soviética, país passou mais de 20 anos com uma lei parecida que apenas precarizou o trabalho, reduziu a arrecadação de impostos e retirou direitos

O projeto de terceirização irrestrita aprovado na semana passada na Câmara dos Deputados é alvo de inúmeras críticas de especialistas. A maior parte deles aponta que a medida levará as empresas a abrir mão do registro em carteira dos funcionários e passar a contratar empresas prestadoras de serviço, o que levaria a uma redução de salários, precarização das condições de trabalho, cortes de benefícios e aumento dos trabalhos temporários.

A análise não existe à toa. Há exemplos práticos no mundo de como a terceirização pode prejudicar os trabalhadores. A Rússia é um deles. Por mais de 20 anos, após o fim da União Soviética, o país viveu sob o regime da terceirização irrestrita e as consequências foram exatamente as apontadas pelos especialistas que hoje criticam o projeto aprovado no Brasil. Diante desse tipo de retrocesso, a Rússia proibiu a prática no ano passado através de uma lei aprovada em 2015.

Na época, o jornal Valor entrevistou um integrante do conselho nacional do Sindicato dos Trabalhadores da Construção da Rússia, Abdegani Shamenov. Ele apontou que a aprovação da lei proibindo a terceirização foi “um grande orgulho para os sindicatos russos”.

De acordo com Shamenov, os mais de 20 anos de terceirização irrestrita na Rússia não aumentaram a oferta de emprego no país, reduziram a arrecadação de impostos e diminuiram salários e benefícios dos trabalhadores. O sindicalista apontou ainda que muitas das empresas terceirizadas não recolhiam contribuições previdenciárias e inúmeros trabalhadores acabaram ficando sem auxílio no caso de acidentes ou doenças, por exemplo.

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